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Ferrovias Regionais e o Grid Ferroviário do Brasil:Infraestrutura como vetor de desenvolvimento territorial, integração logística e interiorização da economia

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  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

José Roberto Barbosa é CEO da Petrocity e presidente da Associação Brasileira

de Ferrovias Autorizadas


O Brasil é um país continental que ainda se move como se fosse pequeno. Nossa economia depende excessivamente das rodovias, concentra investimentos em poucos corredores e mantém vastas regiões do interior desconectadas das grandes cadeias produtivas. O resultado é conhecido: custo logístico elevado, perda de competitividade, desigualdade regional e cidades com enorme potencial produtivo sem acesso adequado à infraestrutura.


É nesse cenário que as ferrovias regionais surgem como a solução mais eficiente, rápida e estruturante para recolocar o Brasil no caminho do desenvolvimento.


Diferentemente das ferrovias tradicionais, voltadas quase exclusivamente ao escoamento de grandes volumes para exportação, as ferrovias regionais cumprem uma função mais ampla: organizam territórios, conectam economias locais e interiorizam o crescimento. Elas ligam cidades médias, polos produtivos e regiões agrícolas e industriais diretamente ao sistema ferroviário nacional, criando redes logísticas integradas e funcionais.


Infraestrutura, nesse contexto, não é apenas suporte — é desenvolvimento na veia.


O avanço do modelo de ferrovias privadas autorizadas representa uma virada institucional importante. Ele permite acelerar investimentos, reduzir burocracias, atrair capital produtivo e expandir a malha ferroviária sem depender exclusivamente do orçamento público. Mais do que isso, possibilita a integração inteligente entre ferrovias autorizadas e concessionadas, formando um verdadeiro grid ferroviário nacional.


Esse grid não é uma linha reta. É uma rede viva, com múltiplos nós logísticos, interconexões regionais e integração multimodal. Nesse arranjo, ganham destaque as UTACs — Unidades de Transbordo e Armazenamento de Cargas, que funcionam como o lastro operacional das ferrovias regionais. Elas consolidam cargas, reduzem custos, garantem demanda estruturada e transformam municípios em polos logísticos e produtivos.


Quando uma ferrovia regional chega, não chega sozinha. Chegam investimentos, empregos, serviços, indústrias, renda e novas oportunidades. O território deixa de ser periferia logística e passa a ser ativo econômico estratégico. As cidades se tornam mais atrativas, a economia se interioriza e o mercado interno se fortalece.


O futuro ferroviário do Brasil passa por essa visão integrada: ferrovias regionais, modelo autorizado, integração com concessões, UTACs e modais complementares. Um país que se organiza pelos trilhos é um país que cresce com equilíbrio, competitividade e inclusão.


Colocar o Brasil nos trilhos é, antes de tudo, colocar o interior no centro do desenvolvimento.

 
 
 

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