Ferrovias Regionais: O Brasil de volta aos trilhos do desenvolvimento.
- abrafamail

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José Roberto Barbosa é CEO da Petrocity e presidente da Associação Brasileira de Ferrovias Autorizadas
O Brasil é uma nação de dimensões continentais que ainda opera com uma logística
concentrada, cara e desigual. Enquanto grandes corredores escoam produção para
exportação, vastas regiões do interior permanecem à margem dos fluxos estruturantes da
economia nacional. O resultado é conhecido: custos logísticos elevados, competitividade
limitada, concentração regional da renda e oportunidades que não alcançam quem mais
precisa.
É hora de enfrentar essa distorção com visão estratégica e essa visão passa pelas ferrovias
regionais.
Ferrovias regionais não são apenas trilhos conectando cidades. São instrumentos de
integração nacional. São infraestrutura que organiza o território, interioriza a economia e
transforma regiões produtivas em polos dinâmicos de crescimento. Elas representam a
transição de um sistema ferroviário linear, voltado a poucos eixos, para um verdadeiro grid
ferroviário integrado, capaz de distribuir oportunidades de forma equilibrada pelo país.
A integração nacional não se faz apenas por rodovias ou aeroportos. Faz-se por uma rede
estruturada, capaz de conectar produção, consumo, indústria, agricultura e serviços em
todas as regiões. Quando uma ferrovia regional conecta o interior ao sistema nacional, ela
reduz distâncias econômicas, encurta cadeias logísticas e aumenta a competitividade das
empresas locais.
O impacto é direto:
menor custo de transporte, maior previsibilidade operacional, ampliação do acesso a
mercados e atração de novos investimentos.
Mas há um ponto decisivo que precisa ser destacado: o Brasil já possui o instrumento legal
para viabilizar essa transformação. A Lei nº 14.273/2021 instituiu o regime de ferrovias
autorizadas, criando o caminho mais curto, moderno e eficiente para expandir a malha
ferroviária nacional.
Esse modelo reduz burocracia, acelera investimentos, amplia a participação do setor
privado e permite a implantação de ferrovias regionais com maior flexibilidade e menor
dependência do orçamento público. Não se trata de criar uma nova política, trata-se de
aplicar plenamente um mecanismo que já está previsto em lei.
As ferrovias autorizadas são, hoje, o elo entre o potencial regional e a integração nacional.
São o instrumento jurídico que transforma planejamento em obra, intenção em trilho e
projeto em desenvolvimento.
Mas o efeito não é apenas econômico. É social.
Ao melhorar a infraestrutura, melhora-se a atratividade das cidades. Municípios integrados ao sistema ferroviário passam a oferecer melhores condições para instalação de indústrias, centros de distribuição, armazéns e serviços. Isso gera empregos diretos na operação ferroviária, empregos indiretos na cadeia logística e empregos induzidos no comércio, na construção civil e nos serviços urbanos.
A ferrovia regional transforma cidades periféricas em cidades estratégicas, transforma
isolamento em oportunidade e transforma potencial em produção real.
Ao interiorizar a economia, o país reduz desigualdades regionais, fortalece o mercado
interno e amplia sua base produtiva. O desenvolvimento deixa de ser concentrado e passa
a ser distribuído.
É preciso compreender que infraestrutura não é gasto é investimento estruturante, e, no
caso das ferrovias regionais viabilizadas pelo modelo autorizado, é investimento com
retorno multiplicador e velocidade de execução.
O Brasil já demonstrou, ao longo de sua história, que cresce quando organiza sua
infraestrutura. Hoje, diante do desafio de aumentar competitividade, gerar emprego e
impulsionar o crescimento sustentável, as ferrovias regionais, viabilizadas pelo regime de
autorizações, surgem como a solução concreta e juridicamente disponível para um novo
ciclo de desenvolvimento nacional.
O país não precisa apenas crescer, precisa crescer com equilíbrio territorial.
E isso começa colocando o interior no centro da estratégia econômica, usando o
instrumento legal que já existe para transformar projetos em realidade.
As ferrovias regionais, estruturadas pelo regime de autorizações, são mais do que trilhos.
São o caminho mais curto para um Brasil mais integrado, competitivo e socialmente justo.
O futuro do desenvolvimento brasileiro passa por elas.
19 de fevereiro de 2026.
José Roberto Barbosa da Silva.




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