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Ferrovias Regionais: O Brasil de volta aos trilhos do desenvolvimento.

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  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

José Roberto Barbosa é CEO da Petrocity e presidente da Associação Brasileira de Ferrovias Autorizadas


O Brasil é uma nação de dimensões continentais que ainda opera com uma logística

concentrada, cara e desigual. Enquanto grandes corredores escoam produção para

exportação, vastas regiões do interior permanecem à margem dos fluxos estruturantes da

economia nacional. O resultado é conhecido: custos logísticos elevados, competitividade

limitada, concentração regional da renda e oportunidades que não alcançam quem mais

precisa.


É hora de enfrentar essa distorção com visão estratégica e essa visão passa pelas ferrovias

regionais.


Ferrovias regionais não são apenas trilhos conectando cidades. São instrumentos de

integração nacional. São infraestrutura que organiza o território, interioriza a economia e

transforma regiões produtivas em polos dinâmicos de crescimento. Elas representam a

transição de um sistema ferroviário linear, voltado a poucos eixos, para um verdadeiro grid

ferroviário integrado, capaz de distribuir oportunidades de forma equilibrada pelo país.


A integração nacional não se faz apenas por rodovias ou aeroportos. Faz-se por uma rede

estruturada, capaz de conectar produção, consumo, indústria, agricultura e serviços em

todas as regiões. Quando uma ferrovia regional conecta o interior ao sistema nacional, ela

reduz distâncias econômicas, encurta cadeias logísticas e aumenta a competitividade das

empresas locais.


O impacto é direto:

menor custo de transporte, maior previsibilidade operacional, ampliação do acesso a

mercados e atração de novos investimentos.


Mas há um ponto decisivo que precisa ser destacado: o Brasil já possui o instrumento legal

para viabilizar essa transformação. A Lei nº 14.273/2021 instituiu o regime de ferrovias

autorizadas, criando o caminho mais curto, moderno e eficiente para expandir a malha

ferroviária nacional.


Esse modelo reduz burocracia, acelera investimentos, amplia a participação do setor

privado e permite a implantação de ferrovias regionais com maior flexibilidade e menor

dependência do orçamento público. Não se trata de criar uma nova política, trata-se de

aplicar plenamente um mecanismo que já está previsto em lei.


As ferrovias autorizadas são, hoje, o elo entre o potencial regional e a integração nacional.

São o instrumento jurídico que transforma planejamento em obra, intenção em trilho e

projeto em desenvolvimento.


Mas o efeito não é apenas econômico. É social.


Ao melhorar a infraestrutura, melhora-se a atratividade das cidades. Municípios integrados ao sistema ferroviário passam a oferecer melhores condições para instalação de indústrias, centros de distribuição, armazéns e serviços. Isso gera empregos diretos na operação ferroviária, empregos indiretos na cadeia logística e empregos induzidos no comércio, na construção civil e nos serviços urbanos.


A ferrovia regional transforma cidades periféricas em cidades estratégicas, transforma

isolamento em oportunidade e transforma potencial em produção real.


Ao interiorizar a economia, o país reduz desigualdades regionais, fortalece o mercado

interno e amplia sua base produtiva. O desenvolvimento deixa de ser concentrado e passa

a ser distribuído.


É preciso compreender que infraestrutura não é gasto é investimento estruturante, e, no

caso das ferrovias regionais viabilizadas pelo modelo autorizado, é investimento com

retorno multiplicador e velocidade de execução.


O Brasil já demonstrou, ao longo de sua história, que cresce quando organiza sua

infraestrutura. Hoje, diante do desafio de aumentar competitividade, gerar emprego e

impulsionar o crescimento sustentável, as ferrovias regionais, viabilizadas pelo regime de

autorizações, surgem como a solução concreta e juridicamente disponível para um novo

ciclo de desenvolvimento nacional.


O país não precisa apenas crescer, precisa crescer com equilíbrio territorial.


E isso começa colocando o interior no centro da estratégia econômica, usando o

instrumento legal que já existe para transformar projetos em realidade.


As ferrovias regionais, estruturadas pelo regime de autorizações, são mais do que trilhos.

São o caminho mais curto para um Brasil mais integrado, competitivo e socialmente justo.


O futuro do desenvolvimento brasileiro passa por elas.



19 de fevereiro de 2026.

José Roberto Barbosa da Silva.

 
 
 

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